Por que algumas pessoas compreendem, relacionam, aprendem ou criam em ritmos tão diferentes?
A pergunta parece simples, mas toca uma das regiões mais desconfortáveis da experiência humana. Admitimos diferenças de altura, força, coordenação e resistência. Quando a diferença envolve inteligência, porém, ela atinge a identidade, desperta comparação e rapidamente se transforma em admiração, ressentimento, isolamento ou hierarquia.
Em A Coerência da Inteligência, Francis Valadj investiga a origem das diferenças intelectuais humanas sem recorrer à ideia de alma, eleição divina, superioridade moral ou destino genético.
Partindo de uma perspectiva materialista e interdisciplinar, o autor examina a relação entre genética, desenvolvimento, cérebro, metabolismo, linguagem, ambiente, educação, experiência e oportunidade. Mostra por que não existe um único "gene da inteligência", por que o DNA não escreve pensamentos e por que uma pontuação de QI, embora possa oferecer informação relevante, jamais contém a totalidade de uma pessoa.
A obra enfrenta também o preço humano de ser percebido como incomum: a comparação constante, o isolamento, o mascaramento, o perfeccionismo, a incompreensão familiar, a inadequação escolar, a exploração profissional e a transformação da diferença em diagnóstico, espectáculo ou obrigação de desempenho.
No centro do livro está a proposta autoral da Coerência da Inteligência: a capacidade funcional de receber, conservar, relacionar, reorganizar, testar e aplicar informação sem perder a possibilidade de correcção.
Coerência não significa perfeição, rapidez ou acumulação de conhecimento. Significa manter uma relação viva entre informação, realidade, finalidade, consequência e revisão.
Este livro recusa dois extremos igualmente perigosos: negar diferenças cognitivas reais em nome de uma igualdade sentimental e transformar essas diferenças numa hierarquia de valor humano.
Uma obra para leitores interessados em inteligência, genética, neurociência, educação, altas capacidades, filosofia da mente, inteligência artificial e nos mecanismos pelos quais a matéria viva se torna capaz de compreender o mundo - e de interrogar a si própria.
As pessoas podem ser profundamente diferentes em capacidade, ritmo e necessidade. Continuam, porém, absolutamente iguais em dignidade.