Mary Iriarte tem vinte e dois anos, está no quarto ano de medicina e uma teoria: a de que o verão na Galícia não são férias, mas uma forma de medicina preventiva. Ninguém na faculdade concorda. Ninguém na faculdade é obrigado a concordar.
Entre o apartamento do avô em Vigo, o muro onde se toca gaita ao entardecer, uma amiga que organiza o mundo em listas, outra que verifica falácias antes do café da manhã e um veterinário que aparece nos mesmos lugares com uma frequência acima do que a probabilidade justifica, Mary vai descobrindo o que nenhum manual ensina: que a medicina cura o corpo, a gaita cura quase todo o resto, e as amigas curam o que sobra.
Com um humor seco que vive no olhar do narrador - e quase nunca na boca das personagens -, A Gaita e o Bisturi é um romance sobre a distância exata entre ser competente e ser bom, sobre os três segundos de silêncio que precedem a pergunta certa, e sobre um avô pescador para quem a gaita não é um instrumento, mas uma declaração de intenções.
Volume Um de As Crônicas da Gaita.