O que caracterizaria uma sociedade verdadeiramente socializada? Para Walther Rathenau, o simples desaparecimento dos ricos não eliminaria a pobreza, assim como a nacionalização dos meios de produção não bastaria para criar uma ordem social mais justa.
Escrita em meio à crise política, econômica e moral que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, "A Nova Sociedade" investiga as transformações necessárias para superar a condição proletária e a divisão hereditária da sociedade. Rathenau parte de um critério provocador - a extinção da renda obtida sem trabalho -, mas deixa claro que seu objetivo não é apenas redistribuir propriedades, igualar rendimentos ou aumentar o bem-estar material. A reorganização econômica deve estar subordinada a uma finalidade mais ampla: libertar o indivíduo das estruturas que limitam o desenvolvimento da personalidade e da vida espiritual.
Ao longo de treze capítulos, o autor examina o socialismo, a democracia parlamentar, a propriedade, a herança, a educação, a organização da produção e a responsabilidade coletiva. Critica tanto a plutocracia e os privilégios das classes proprietárias quanto o socialismo ortodoxo, que promete uma transformação radical sem explicar concretamente como funcionará a sociedade futura. Contra a mera nacionalização burocrática, propõe uma profunda reorganização da economia, capaz de substituir monopólios de classe por instituições submetidas ao interesse da comunidade.
Industrial, administrador, intelectual e futuro ministro das Relações Exteriores da República de Weimar, Rathenau escreve a partir de uma posição singular: conhecia por experiência direta o funcionamento das grandes empresas, a organização econômica do Estado e os conflitos políticos de seu tempo. O resultado é uma obra crítica e inquieta, situada entre o liberalismo, o socialismo e a economia planejada, que enfrenta uma questão ainda atual: como transformar a estrutura econômica sem substituir uma forma de dominação por outra?