Três semanas antes da noite no Meridiano, Marco foi despedido. No bar, encontrou Íara. Ela disse: "Sente-se." Ele sentou-se. Essa foi a primeira escolha que não pôde desfazer.
Marco começa a ver o que estava sempre lá - os padrões por baixo das palavras, a arquitetura das decisões que as pessoas pensam ser livres. A abertura é um dom. É também um risco. Há grupos que querem registar cada novo Portador. Há outros que querem usar a abertura para fins mais sombrios. E há Íara, que o guiou na travessia e que pode não ser quem parece.
Enquanto Marco navega entre Os Velantes e A Brasa, a sua vida começa a desmoronar. O senhorio quer o apartamento. A escola abre um processo disciplinar. Uma aluna de dezasseis anos sente a sua leitura involuntária e não sabe o que lhe está a acontecer.
E Augusto Santos, o velho alfarrábista que lhe deu as respostas que Íara escondeu, está em perigo.
A Travessia é um romance sobre culpa, autoengano e o preço de ver claramente. Não há heróis. Há pessoas que falham, que tentam corrigir o que fizeram, e que descobrem que algumas coisas não podem ser desfeitas.