Há mais de um século, o eterno retorno divide os melhores leitores de Nietzsche. Seria a doutrina uma tese cosmológica - um universo finito que se repete infinitamente, fechado sobre si mesmo num círculo de necessidade? Ou uma figura poética - a mais alta fórmula da afirmação, o convite a dizer sim a um devir sem fundamento nem meta?
Este livro encena esse confronto em toda a sua radicalidade, opondo as duas leituras de maior estatura: a de Karl Löwith, que faz de Nietzsche o último metafísico, o filósofo trágico da fatalidade que encerra a filosofia da história no círculo; e a de Scarlett Marton, que faz dele o inaugurador de uma poética do devir, o pensador que se apropria do cosmos apenas para transvalorá-lo em afirmação.
Ao longo de doze eixos - do niilismo à genealogia da moral, do argumento cosmológico à parábola do portal em Zaratustra, da herança heideggeriana à fenomenologia do instante -, a obra demonstra que os mesmos textos de Nietzsche sustentam, por inteiro, as duas leituras. A tese central é ousada: essa indecidibilidade não é um defeito a ser corrigido, mas a assinatura mesma da potência da doutrina. O eterno retorno é constitutivamente duplo - cosmologia quando lido como descrição, prova quando lido como interpelação - e sua grandeza está em sustentar uma ambiguidade que os textos menores resolvem.
Rigoroso e denso, com 24 figuras conceituais e 24 tabelas analíticas, Horizontes Eternos é ao mesmo tempo um estudo de alto nível para especialistas e um convite a pensar o que significa afirmar a vida depois da morte de Deus - a permanecer no horizonte onde o círculo da necessidade e o limiar da afirmação se tornam, no limite, o mesmo lugar.