ONDE NINGUÉM CRESCE, NINGUÉM É INOCENTE.
Setenta e dois anos depois da Febre do Berço, toda a humanidade conserva a aparência dos doze anos. Na República de Anil, isso não é uma tragédia: é a base da ordem. Escolas substituem praças, cantigas anunciam políticas públicas e o Ministério da Alegria Cívica cuida para que cada imagem conte a versão correta da história.
Nina Vale é uma das pessoas que corrigem essas imagens.
Arquivista experiente, ela sabe apagar uma porta antes que alguém pergunte o que existe atrás dela. Mas uma falha de transmissão exibe por segundos o impossível: o corpo de um adulto. Quando Nina recebe ordem para destruir o registro original, encontra nele o nome de Ícaro, seu irmão desaparecido, classificado como Crescido Impossível.
A busca pela verdade atravessa a casa de sua mãe, uma escola-modelo, laboratórios clandestinos, arquivos religiosos, túneis de manutenção e a máquina de propaganda que ensinou um país inteiro a confundir obediência com cuidado. No centro de tudo estão a Anilina-12, o Projeto Recreio e uma pergunta que o Estado tornou perigosa: e se a humanidade nunca tiver perdido a capacidade de amadurecer?
Ao lado de Bento Luar - um jovem pesquisador que se recusa a virar símbolo, prova ou propriedade de qualquer lado -, Nina precisa decidir não apenas como revelar uma verdade, mas quem tem o direito de usá-la.
O Jardim dos Doze é uma distopia adulta de horror psicológico e suspense político sobre memória, consentimento e o poder de nomear o que uma sociedade foi treinada para não enxergar. Um romance em que a propaganda tem cores pastel, a violência fala com voz de professora e nenhuma revolução permanece pura depois de ser transmitida.
Para leitores de ficção especulativa social, thrillers de arquivo e histórias sobre regimes que transformam linguagem, ciência e cuidado em infraestrutura de controle.