Depois de um casamento anulado, um escritor cético embarca para a ilha grega de Chios com uma missão absurda: escrever um livro sobre o amor observando, de perto, um casal de amigos. Andreas é restaurador de afrescos - um homem que mente sobre os próprios sentimentos e diz a verdade sobre o jantar. Katarina abandonou a matemática alemã por uma destilaria de mástique herdada do avô - e trata a verdade como trata a resina: extrai com incisões precisas e vende com ágio.
Armado de um caderno, o narrador tenta capturar em fórmulas o que se recusa a ser explicado: onze anos de amor comum, com brigas sem juros compostos, azeitonas divididas em disputas homéricas, cartas nunca enviadas e um bilhete guardado atrás da porta da cozinha que ninguém mais vai ler. No caminho, uma doença, uma tempestade, Paris, Dubai, um vizinho amargo chamado Stavros e um gato indiferente chamado Pitágoras vão desmontando, um a um, tudo que ele achava que sabia sobre amar.
O Medo Que Vale a Pena é um romance sobre o que sobra do amor quando a paixão vira hábito e o hábito vira a coisa mais bonita que existe - escrito com humor seco, ternura sem sentimentalismo e a convicção de que amar é, no fim, escolher com os olhos abertos o único medo que vale a pena carregar.