Esta é uma obra de ficção. Todas as pessoas que percorrem estas páginas são personagens fictícias, criadas ao serviço da narrativa. No entanto, esta história está firmemente enraizada na realidade histórica.
Portugal, na década de 1960 e no início da de 1970, era um país pobre e rural, sob um regime autoritário. É um facto histórico que milhares de jovens Portugueses, do interior, abandonaram as suas aldeias para procurar trabalho na indústria turística do Algarve. Muitos eram adolescentes. Trabalharam em hotéis que recebiam visitantes estrangeiros em fuga de sociedades mais frias. É igualmente verdade que a atmosfera de sol, anonimato e liberdade temporária conduziu a inúmeras relações românticas e sexuais entre estes jovens e turistas estrangeiras. Para alguns, esses encontros foram passageiros. Para outros, foram determinantes, mesmo transformadores da vida.
É igualmente um facto histórico que a grande maioria destes jovens acabou por ser incorporada nas Forças Armadas Portuguesas. Entre 1961 e 1974, Portugal travou uma longa e brutal série de guerras coloniais em África. Ao longo de treze anos de conflito quase contínuo, mais de dez mil soldados Portugueses perderam a vida, e muitas dezenas de milhares regressaram fisicamente feridos ou psicologicamente marcados.
Dentro das Forças Armadas Portuguesas, as Tropas Paraquedistas existiram, em essência, tal como aqui descritas: uma força voluntária composta por homens já sujeitos ao serviço militar obrigatório, mas que, por diversas razões, escolheram tentar integrar uma das unidades mais exigentes do país. A selecção e a instrução eram excepcionalmente duras. A maioria dos voluntários não resistia. Aqueles que conseguiam concluí-las conquistavam uma reputação de dureza, disciplina e elevada fiabilidade operacional. Os Paraquedistas eram frequentemente empregues como tropas de reacção rápida de elite nos sectores mais perigosos da guerra, desempenhando funções típicas de forças especiais.
Muitas das batalhas e operações descritas neste romance baseiam-se em acontecimentos históricos reais, incluindo, entre outros, a Batalha da Ilha do Como, na Guiné Portuguesa; o ataque ao Aeródromo de Bissau; a Operação Mar Verde, o raid Português a Conacri; a queda de Guileje; e numerosas operações de contra-insurgência conduzidas no leste, norte e centro de Angola.
O fim político da guerra é igualmente um facto histórico. A 25 de Abril de 1974, as Forças Armadas Portuguesas desencadearam um golpe militar, que derrubou o regime e pôs termo, de forma abrupta, às guerras coloniais de Portugal. A transição que se seguiu foi súbita, caótica e profundamente traumática.
Igualmente fundamentada na realidade é a representação da Legião Estrangeira Francesa. Os seus processos de selecção, treino, disciplina e cultura interna são retratados de forma historicamente rigorosa. As unidades de Paraquedistas da Legião, em particular o 2.º Regimento Estrangeiro de Paraquedistas, são amplamente consideradas entre as formações de elite mais exigentes do mundo.
Várias operações reais da Legião surgem neste romance, incluindo operações conduzidas no Chade durante o conflito Chadiano-Líbio; a missão de resgate de reféns em Loyada; e a Batalha de Kolwezi, uma operação aerotransportada de grande escala destinada ao resgate de civis, durante a qual a Legião sofreu baixas reais e alcançou reconhecimento internacional.
Os acontecimentos deste romance são inspirados por estas realidades históricas, embora as suas ações permaneçam ficcionais. Esta é uma história sobre o amor, encontrado e depois perdido, e a dor insuportável que essa perda provoca.
Este romance não procura glorificar a guerra. Procura compreender o que a violência prolongada, a perda e o amor não curado podem fazer a um ser humano, e como a História, indiferente aos indivíduos, ainda assim pode moldar e destruir v