O hibridismo é um fato. Só falta o método capaz de prová-lo.
Entre a ideologia da mescla harmoniosa e a crítica que desmascara essa ideologia até negar o próprio sujeito que ela oculta, este livro traça uma terceira via: a fenomenologia husserliana como único método capaz de estabelecer o hibridismo - não como mito, não como ficção discursiva, mas como estrutura vivida, sedimentada na carne de milhões.
Lendo Husserl ao lado de Freyre, Canclini, Hall, Merleau-Ponty e Fanon, Noah Blake reconstrói a figura do moreno como categoria filosófica: o sujeito que carrega, sem resolvê-la, a herança afetiva de uma história colonial - excedente de sentido, déficit de reconhecimento. Um livro que não pergunta se a hibridez existe, mas demonstra por que a incapacidade de vê-la como fato é falha do método, não do fenômeno.
"A incompletude não é falta, mas forma de vida."