Freud descobriu que o homem não comanda nem a própria mente. Lacan mostrou que nem o desejo nos pertence por inteiro. Décadas depois, Edward Bernays - sobrinho de Freud - usou essa mesma descoberta para fabricar o consentimento de multidões inteiras, e mudou o rumo do século XX.
Em O Último Homem, o psicanalista e filósofo William Marcos costura, com rigor clínico e histórico, um percurso que atravessa as três feridas narcísicas de Freud, a psicologia das massas, as duas guerras mundiais, a batalha perdida de Freud contra o corporativismo médico, a erudição de Lacan, a engenharia do consentimento de Bernays, e a convergência silenciosa entre hegemonia cultural e liberalismo econômico - para chegar a uma conclusão que incomoda: o sujeito contemporâneo é, com precisão quase clínica, aquilo que Nietzsche profetizou em 1883.
Escrito com a franqueza cínica que só a psicanálise mais honesta permite, este não é um livro de conforto. É um livro que nomeia o mecanismo que transforma liberdade em fadiga, e convida o leitor a pagar, ao menos uma vez, o preço de permanecer vertical.
Para quem já suspeitava que a liberdade contemporânea era menor do que prometiam - e queria, finalmente, entender exatamente por quê.