Shang Hai, mon amour reúne ensaios de 1987 a 2026, período em que a cidade passou por grandes transformações. Meu relato sobre a China de 1987 despertou atenção principalmente pela pobreza reinante à época. Na virada do milênio, um trator passou por cima de Shang Hai e a cidade foi totalmente reconstruída. Hoje o país desperta atenção pela sua riqueza e modernidade e por ter assumido a hegemonia do capitalismo internacional. Ajustada pelo custo de vida interno, a China já é a maior economia do mundo, 40% maior que a economia dos Estados Unidos.
A China se transformou no país nº 1 do planeta aprofundando sua estratificação social. Um fosso foi erguido entre, de um lado, a poderosa elite e a numerosa classe média e, de outro, a população da zona rural e o imenso contingente de migrantes que vivem nas cidades como cidadãos de segunda classe, sujeitos a empregos mal remunerados, com restritos direitos trabalhistas e sociais para habitação, saúde, educação etc. e sem direito político algum.