Os dias que se sucedem săo tempos outrora inimagináveis. De um lado, tem-se uma crise paradigmática que vai destruindo paulatinamente os fundamentos que restavam do velho Estado de Bem-Estar Social europeu, sem que se consiga, minimamente, prever o tamanho das consequęncias a curto e médio prazo. Por outro lado, constata-se a emergęncia de novos atores políticos e econômicos no plano internacional, que conferem uma nova roupagem ao capitalismo. O aprofundamento da crise, que se iniciou em 2008, na América contaminou, de tal forma, as economias mais fragilizadas do Velho Mundo que, dificilmente, se consegue, hoje, traçar um cenário para o pós-crise, simplesmente porque năo é possível concluir se está-se diante apenas de uma sucessăo de eventos que causaram uma perturbaçăo temporária, ou se houve o rompimento definitivo com um paradigma que, até entăo, era entendido com uma verdade inconteste. Incrivelmente, sequer se compreende o que está em crise. Há vozes que anacronicamente sustentam que a Europa passa pela crise de seu modelo de proteçăo social [...].