Uma Estação em Poços
Setembro de 1925.
Quando o respeitado médico Álvaro Andrade desembarca em Poços de Caldas para um tratamento de águas termais contra o esgotamento nervoso, acredita estar apenas cumprindo uma temporada médica recomendada aos homens cansados da elite brasileira. Casado, disciplinado e habituado a uma vida construída sobre deveres, reputação e controle, ele imagina retornar rapidamente à segurança de sua rotina em Campinas.
Mas Poços de Caldas não é apenas uma cidade termal.
Entre a neblina das montanhas, os vapores das fontes sulfurosas, os cafés elegantes diante da Praça Pedro Sanches, os jogos improvisados de futebol que antecedem o nascimento da Caldense e as noites luminosas do cassino, Álvaro encontra uma cidade suspensa entre sonho, desejo e melancolia - um lugar onde pessoas chegam para tratar o corpo e acabam confrontando as próprias vidas não vividas.
É ali que conhece Camille Duvall, uma cantora francesa da Boate Azul, sofisticada, inteligente e emocionalmente exilada, que aprendeu a sobreviver encantando homens sem jamais permitir que alguém realmente a alcançasse. O que começa como fascínio transforma-se lentamente numa relação profunda, delicada e perigosa, capaz de despertar nos dois a esperança tardia de uma existência mais verdadeira.
Enquanto Poços os envolve com suas manhãs frias, águas termais, caminhadas pelo parque e noites carregadas de música e vapor, Álvaro começa a perceber que talvez tenha passado tempo demais vivendo apenas a vida que esperavam dele.
Mas algumas descobertas chegam tarde demais.
E entre despedidas, cartas, escolhas impossíveis e o lento desaparecimento de Poços pela janela de um trem, Uma Estação em Poços constrói um romance elegante, sensual e profundamente humano sobre coragem emocional, desejo de pertencimento e as vidas inteiras que muitas vezes deixamos de viver por medo de transformá-las em realidade.